sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Charles Bukowski Tapes #29 e Facebook
Quem acompanha o blog sabe que recentemente abrimos uma página no facebook. Com menos de um mês de existência já somos a segunda maior página com material em português sobre o velho no facebook!
Então não fique de fora e curta a página aqui: Velho Bukowski.
Ainda está rolando sorteio.
domingo, 25 de novembro de 2012
Antologia reafirma o poder inflamável do velho Bukowski
Traduzida em português, antologia reafirma o poder inflamável do velho Bukowski.
O livro 'Amor é tudo que nós dissemos que não era' é uma antologia de poemas do grande Charles. A obra organizada e traduzida pelo escritor Fernando Koproski, traz poemas de 15 livros do Buk e levantam o melhor da poesia confessional, intensa e direta do velho safado que mistura amor, sexo e álcool em textos líricos e corrosivos que irão deleitar sua legião de fãs.
'Amor é tudo que nós dissemos que não era' está sendo lançado pela 7Letras e vem com 296 páginas recheadas de amor e ódio, ambos pegando fogo o tempo todo. Vale a pena conferir.
Título: Amor é Tudo Que Nós Dissemos Que Não Era
Autor: Charles Bukowski
Editora: Editora 7Letras
Ano: 2012
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 296 páginas
Peso: 506g
Dimensões: 230mm x 160mm
Valor médio: R$ 49,00
Não esqueçam de conferir nossa página do facebook, clicando AQUI. Já está rolando sorteio.
Sorteio de Natal
sábado, 24 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
Charles Bukowski Tapes #28
Se você curte o blog, não deixe de se inscrever no canal. para receber avisos de quando houver uploads novos.
Abraços.
sábado, 20 de outubro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
O último poema de Charles Bukowski enviado por fax a seu editor
oh, forgive me For Whom the Bell Tolls,
oh, forgive me Man who walked on water,
oh, forgive me little old woman who lived in a shoe,
oh, forgive me the mountain that roared at midnight,
oh, forgive me the dumb sounds of night and day and death,
oh, forgive me the death of the last beautiful panther,
oh, forgive me all the sunken ships and defeated armies,
this is my first FAX POEM.
It’s too late:
I have been
smitten.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
"Nem tente", eis Bukowski:
Em vídeo, uma pequena - e muito bem feita - biografia sobre o velho safado.
Eis aqui, Bukowski:
Todos os créditos ao grande Cláudio Ramos. Sigam-no no twitter, se tiverem gostado do vídeo.
Abraços.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Mulheres
- Que cê tá falando?
- Daquela vez que você foi lá sozinha, tarde da noite.
- Que porra, eu não quero ouvir falar nisso!
- Mas é verdade, você trepou com ele!
- Escute, se você continuar com isso eu não vou aguentar!
-Você trepou com ele!
Lydia entrou no acostamento, parou o carro e abriu a porta do meu lado.
-"Sai" disse ela.
Saí. O carro arrancou. Fui caminhando pelo acostamento. De vez em quando dava uns goles na garrafa. Andei uns cinco minutos, daí o carro encostou do meu lado. Lydia abriu a porta.
"- Entre". Entrei.
- Não diga uma palavra.
- Você trepou com ele. Sei disso.
- Ó Deus!
Lydia entrou de novo no acostamento, parou e abriu a porta. "- Sai!"
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Uma mudança de hábito
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Poema: sobre dor
minha primeira e única esposa
fez uma pintura
e falou para mim
sobre ela:
"É tudo tão doloroso
para mim, cada pincelada é
dor...
um erro e
todo o quadro é
arruinado...
você nunca vai entender a
dor ... "
"olha, querida," eu
disse, "por que você não faz algo fácil
algo que você gostaria de
fazer?"
ela apenas olhou para mim
e eu acho que foi a sua
primeira compreensão da
tragédia de ficarmos
juntos.
tais coisas normalmente
começam
em algum lugar.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Charles Bukowski Tapes #27
Muitos me pediram para trazer esse tape. Se fosse depender do meu tempo disponível, o vídeo não sairia tão cedo. Vemos com isso que a ajuda de terceiros ao blog é sempre bem útil, e muito bem recebida. Renanzão, valeu pela tradução cara.
O blog continua aberto à quem quiser fazer postagens. Quem tiver interesse, basta entrar em contato com roanrafael@gmail.com
Abraços.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Charles Bukowski Tapes #26
Finalmente chegamos na metade desta estrada. O 26º Tape. :)
Novamente, quando o vídeo atingir 350 views, eu lanço o próximo, e assim seguiremos.
Quem se interessar, ajude o blog divulgando-o. Abraços.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
O dia em que Charles Bukowski encontrou Arnold Schwarzenegger
Em comum, eles tinham apenas os sobrenomes germânicos carregados de consoantes e o gosto por apalpar mulheres em elevadores. De resto, Charles Bukowski era o sonho americano virado pelo avesso, o cronista dos anti-heróis fracassados, cujas vidas não têm nada a ver com os filmes de Hollywood ou os comerciais de refrigerante. Arnold Schwarzenegger tornou-se o maior herói de Hollywood, moldado à medida do império americano triunfante e descarado, sem pudor de usar a força para se impor ao resto do mundo. O ator brutamontes era viciado em esteróides e maconheiro de carteirinha. Bukowski fumava maconha, mas o seu vício de todas as horas era o álcool.
Na única vez em que se encontraram, em 1985, Charles Bukowski já era um escritor famoso e bem de vida, cada vez mais distante do mundo looser de seus personagens. Havia escrito alguns de seus principais livros, como Cartas na Rua, Mulheres e Misto Quente, e já tivera os contos transformados em filmes. Aproveitava para comer o maior número possível de mulheres que o dinheiro e a fama lhe traziam, mas detestava badalações. Tinha amigos em Hollywood, mas eram figuras marginais da grande indústria, como Sean Pean e Harry Dean Stanton. Odiava rock, e contava nos dedos os nomes de astros e filmes que curtia. Ele e Pean quase haviam saído no tapa porque o escritor disse que a namorada dele, a estrela Madonna, não passava de uma vadia. Quando ia às festas dos ricos para degustar suas bebidas e foder suas mulheres, o velho Buk adorava se meter em tretas.

Não foi diferente quando Buk encontrou Schwarzenegger naquela festa de celebridades em 1985. O ex-Mister Universo ainda era um ator de segundo escalão na indústria. Com filmes de sucesso no currículo, os dois Conan e o primeiro Exterminador, ele batalhava para tentar se tornar o novo Stallone — o cara que, naquele ano, vivia o auge de sua carreira, com Rambo II. No breve encontro que tiveram, será que Buk poderia ter imaginado que aquele ator medíocre se tornaria um dos maiores nomes da indústria de entretenimento (sem deixar de ser um ator medíocre) e acabaria eleito governador do seu estado, após uma campanha que lembrava um sitcom? O que teria pensado disso o velho Buk, para quem política era "o mesmo que foder cu de gato"?
Se adivinhasse tudo isso, há dezoito anos atrás, aposto como Bukowski teria feito exatamente o que fez. Dar um tempo no copo de vinho e, sem ligar para o ambiente grã-fino ou os músculos bombados de Schwarzenegger, chegar bem perto do futuro governador e dizer:
- Você é um grande bosta.
Fonte: Vida e Loucuras de um Velho Safado, Sounes
sábado, 9 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Charles Bukowski Tapes #25
Neste vídeo Bukowski lê dois de seus poemas: o poema 'Milionários' na íntegra, e uma parte do poema 'Estilo'. Agradecimentos especiais a Octavio R. por traduzir o poema 'Milionários' para o blog.
Então é isso pessoal. Vou seguir o mesmo padrão: assim que este atingir 350 views, eu libero o próximo Tape. Quanto mais rápido atingirem as visualizações, mais rápidos os Tapes chegam :)
Quem quiser acompanhar a atualização do material recomendo que sigam o blog ali do lado, e visitem/contatem os seguintes links:
Twitter: https://twitter.com/BlogBukowski
Facebook: http://www.facebook.com/roaneken
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YouTube: http://www.youtube.com/roaneken
Abraços.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Nova seção no blog: Fotos de Fãs
Pra inaugurar, fotos de duas camisetas minhas.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Mickey Rourke, Barbet Schroeder e Bukowski
Barbet Schroeder, Mickey Rourke e Bukowski no set de gravações de 'Barfly', filme para o qual Bukowski escreveu o roteiro.
terça-feira, 15 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Charles Bukowski Tapes - Número #24
Neste vídeo Bukowski fala o que acha da beleza de Elizabeth Taylor. Acompanhem:
Quando o vídeo atingir 400 visualizações eu libero o próximo, foi o padrão que consegui alcançar com o tempo que me sobra. Logo, divulguem, hehe. Abraços.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Buk entrevistado por Sean Penn
Dezoito anos passados desde a morte do escritor, reproduzimos uma célebre entrevista feita pelo ator Sean Penn. O encontro ocorreu em 1987, quando o ator estava em Los Angeles para protagonizar Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski, que ultrapassou em muito o território da literatura. Na última hora, porém, Sean perdeu o papel que foi entregue a Mickey Rourke. A entrevista se manteve e tornou-se memorável. Por razões de edição, a intervenção de Sean Penn concentra-se em escolher assuntos, pontos, questões que Charles Bukowski enfrenta como sempre: debochadamente, desbocadamente, cinicamente e… apaixonadamente, como era do feito daquele último beatnik, primeiro punk, amante das mulheres, das corridas e proprietário de frases e pensamentos sem freios.
BARES:
“Eu não vou muito a bares. Tirei isso do meu sistema. Hoje, quando entro num bar, sinto náuseas. Freqüentei muito, enche o saco. Os bares servem para quando somos jovens e queremos brigar, dar uma de macho, arrumar umas mulheres. Na minha idade, eu não preciso mais dessas coisas. Agora só entro nos bares para urinar. Às vezes, entro e já começo a vomitar”.
ÁLCOOL:
“O álcool é provavelmente uma das melhores coisas que chegaram à Terra, além de mim. Nos entendemos bem. É destrutivo para a maioria das pessoas, mas eu sou um caso à parte. Faço todo o meu trabalho criativo quando estou intoxicado. O álcool, inclusive, me ajudou muito com as mulheres. Sempre fui reticente durante o sexo, e ele me permitiu ser mais livre na cama. É uma liberação porque basicamente eu sou uma pessoa tímida e introvertida, e ele me permite ser este herói que atravessa o espaço e o tempo, fazendo uma porção de coisas atrevidas… O álcool gosta de mim.”
FUMAR:
“O cigarro e o álcool se equilibram. Certa vez, ao despertar de uma embriaguês, notei que havia fumado tanto que minhas mãos estavam amarelas, quase marrons, como se eu tivesse colocado luvas. E passei a reclamar: ‘Droga! Como estarão os meus pulmões?’”
BRIGAR:
“A melhor sensação é quando você acerta um sujeito que todo mundo acha impossível. Certa ocasião enfrentei um cara que estava me xingando. Falei pra ele: ‘Tudo bem, venha’. Não tive problema – ganhei a briga facilmente. Caído no chão, com o nariz ensangüentado, ele falou: ‘Jesus, você se move tão lentamente que pensei que seria fácil. Mas quando começou a briga, eu não conseguia nem ver as tuas mãos. O que aconteceu?’. Respondi: ‘Não sei, cara. As coisas são assim. Um homem se prepara para o dia que precisa’.”
GATOS:
“É bom ter um monte de gatos em volta. Se você está mal, basta olhar pra eles e fica melhor, porque eles sabem que as coisas são como são. Não tem porque se entusiasmar com a vida, e eles sabem. Por isso, são salvadores. Quantos mais gatos um sujeito tiver, mais tempo viverá. Se você tem cem gatos, viverá dez vezes mais que se tivesse dez. Um dia, isso será descoberto: as pessoas terão mil gatos e viverão para sempre.”
MULHERES, SEXO:
“Eu as chamo de máquinas de queixas. As coisas entre elas e os homens nunca estão bem para elas. E quando vêm com essa histeria… Ah, eu tenho que sair, pegar o carro, ir embora para qualquer lugar. Tomar café em algum canto, fazer qualquer coisa, menos encontrar outra mulher. Acho que elas são feitas de maneira diferente, não? Quando a histeria começa, o cara tem de ir embora e elas não entendem porque. ‘Onde vai?’, gritam. ‘Vou à m…, querida!’. Pensam que sou um misógino, mas não é verdade. É fofoca. Ouvem por aí que Bukowski é ‘um porco chauvinista’, mas não vêm de onde partiu o comentário. Verdade! Às vezes, eu pinto uma má imagem das mulheres nos meus contos, e faço a mesma coisa com os homens. Até eu me ferro nesses escritos. Se realmente não gostar de uma coisa, digo que é ruim, seja homem, mulher, criança ou cachorro. As mulheres são tão encanadas que pensam que são meu alvo especial. Esse é o problema delas.”
PRIMEIRA VEZ:
“Minha primeira vez foi insólita. Não sabia como fazer, e ela me ensinou todas essas coisas de sacanagem. Lembro que ela dizia: ‘Hank, você é um bom escritor, mas não sabe nada sobre as mulheres.’ ‘O que você está dizendo? Eu já estive com uma porção de mulheres.’ ‘Não, não sabe nada. Vou te ensinar algumas coisas.’ Concordei. Depois, e ela disse: ‘Você é bom aluno, entende rápido’. [Bukowski faz cara de envergonhado. Não pelos detalhes, mas pelo sentimento da lembrança.] Mas esse assunto de … Eu gosto de servir a mulher, mas isso tudo tá tão exagerado! O sexo só é bom quando você não o faz.”
ESCREVER:
“Escrevi um conto a partir do ponto de vista de um violentador de uma menininha. E as pessoas passaram a me acusar. Diziam: ‘Você gosta de violentar criancinhas?’. Eu disse: ‘Claro que não. Estou fotografando a vida’. De repente, estava envolvido com uma porrada de problemas. Por outro lado, os problemas vendem livros. Em última instância, eu escrevo para mim. [Bukowski dá uma longa tragada em seu cigarro.] É assim. A tragada é para mim, a cinza é para o cinzeiro. Isto é publicar. Nunca escrevo de dia porque é como ir pelado a um supermercado – todos te podem ver. À noite é quando saem os truques da manga… E vem a magia.”
POESIA:
“Faz séculos que a poesia é quase um lixo total, uma farsa. Tivemos grandes poetas, entenda bem. Existiu um poeta chinês chamado Li Po que tinha a capacidade de colocar mais sentimento, realismo e paixão em quatro ou cinco simples linhas que a maioria dos poetas em suas doce ou treze páginas de m… Li Po bebia vinho também e costumava queimar seus poemas, navegar pelo rio e beber vinho. Os imperadores o amavam porque entendiam o que ele dizia. Lógico que ele só queimou os maus poemas. O que eu quis fazer, desculpem, é incorporar o ponto de vista dos operários sobre a vida… Os gritos de suas esposas que os esperam quando voltam do trabalho. As realidades básicas da existência do homem comum… Algo que poucas vezes se menciona na poesia há muito tempo.”
SHAKESPEARE:
“É ilegível e está demasiadamente valorizado. Só que as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer que fulano é um péssimo ator, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m… Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles se transformam em bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.”
HUMOR E MORTE:
“Para mim, o último grande humorista foi um cara chamado James Thurber. Seu humor era tão real que as pessoas gritavam de rir, como numa liberação frenética. Eu tenho um ‘fio cômico’ e estou ligado a ele. Quase tudo o queacontece é ridículo. Defecamos todos os dias – isso é ridículo, não? Temos que continuar urinando, pondo comida em nossas bocas, sai cera de nossos ouvidos… As tetas, por exemplo, não servem para nada, exceto…”.
NÓS:
“A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes… enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: ‘Te amo’. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.”
GANHAR:
“E depois de tudo, morremos. Mas a morte não nos ganhou. Ela não mostrou nenhuma credencial; nós é que nos apresentamos com tudo. Com o nascimento, ganhamos a vida? Não, verdadeiramente, mas a f.da p. da morte nos sufoca… A morte me provoca ressentimento, a vida também, e muito mais estar pressionado entre as duas. Você sabe quantas vezes eu tentei o suicídio? Me dá um tempo, tenho só 66 anos. Quando alguém tem tendências suicidas, nada o incomoda, exceto perder nas corridas de cavalos.”
AS CORRIDAS:
“Durante um tempo quis ganhar a vida com as corridas de cavalos. É doloroso, vigoroso. Tudo está no limite, o dinheiro do aluguel, tudo. É preciso ter cuidado. Uma vez, eu estava sentado numa curva, haviam doze cavalos na disputa, todos amontoados. Parecia um grande ataque. Tudo o que eu via era essas grandes traseiras de cavalos subindo e descendo… Pareciam selvagens. Pensei: ‘Isso é uma loucura total’. Mas tem outros dias em que você ganha 400 ou 500 dólares, ganha oito ou nove corridas, e se sente Deus, como se soubesse tudo.”
AS PESSOAS:
“Não olho muito as pessoas. É perturbador. Dizem que se você olha muito para uma outra pessoa acaba ficando parecido com ela. Pobre Linda! Na maioria das vezes eu posso passar sem as pessoas. Elas me esvaziam e eu não respeito ninguém. Tenho problemas nesse sentido. Estou mentindo, mas, creia-me: é verdade.”
A FAMA:
”É uma cadela, é a maior destruidora de todos os tempos. A fama é terrível, é uma medida numa escala do denominador comum que sempre trabalha num nível baixo. Não tem valor nenhum. Uma audiência seleta é muito melhor.”
SOLIDÃO:
”Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: ‘Os homens mais fortes são os mais solitários’. Viu como pensa a maioria: ‘Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?’. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”
TEMPO LIVRE:
“É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente. Ficar na cama olhando o teto. Quem faz isso nesta sociedade moderna? Pouquíssimas pessoas. Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio. Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias. Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depôs me vestia e saía à rua. O sol brilhava e os sons eram maravilhosos. Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.”
BELEZA:
“A beleza não existe, especialmente num rosto humano – ali está apenas o que chamamos fisionomia. Tudo é um imaginado, matemático, um conjunto de traços. Por exemplo, se o nariz não sobressai muito, se as costas estão bem, se as orelhas não são demasiadamente grandes, se o cabelo não é muito comprido. Esse é um olhar generalizante. A verdadeira beleza vem da personalidade e nada tem a ver com a forma das sobrancelhas. Me falam de mulheres que são lindas… Quando as vejo, é como olhar um prato de sopa.”
FIDELIDADE:
“Não existe. Há algo chamado deformidade, mas a simples fidelidade não existe.”
IMPRENSA:
“Aproveito as coisas más que dizem sobre mim para aumentar a venda de livros e me sentir malvado. Não gosto de me sentir bem porque sou bom. Mas, mau? Sim, me dá outra dimensão. Gosto de ser atacado. ‘Bukowski é desagradável!’ Isso me faz rir, gosto. ‘É um escritor desastroso!’ Rio mais ainda. Mas quando um cara me diz que estão dando um texto meu como material de leitura numa universidade, fico espantado. Não sei, me assusta ser muito aceito. Parece que fiz alguma coisa errada.”
O DEDO:
[Ergue o dedo mínimo de sua mão esquerda] “Você viu alguma vez este dedo? [O dedo parece paralisado em forma de “L”]. Quebrei uma noite, bêbado. Não sei porque, ele nunca voltou ao normal. Mas funciona bem para a letra ‘a’ da máquina de escrever, e – que mistério! – acrescenta coisas aos meus personagens.”
VALENTIA:
“Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.”
MEDO:
“Não sei nada sobre isso.” [Ri]
VIOLÊNCIA:
“Acho que, na maioria das vezes, a violência é mal interpretada. Faz falta uma certa violência. Existe em nós uma energia que precisa ser liberada. Se ela for contida, ficamos loucos. Às vezes, chamam de violência à expulsão da energia com honra. Existe loucura interessante e loucura desagradável; há boas e más formas de violência. Sei que é um termo vago, mas ela fica bem se não acontecer às custas dos outros.”
DOR FÍSICA:
“Com o tempo, o cara se endurece e agüenta. Quando eu estava no Hospital Geral, um cara entrou e disse: ‘Nunca vi ninguém agüentar a agulha com tanta frieza’. Ora, isso não é valentia. Se o sujeito agüenta, alguém cede. É um processo, um ajuste. Mas não existe maneira de se acostumar com a dor mental. Fico longe dela.”
PSIQUIATRIA:
“O que conseguem os pacientes psiquiátricos? Uma conta. Creio que o problema entre um psiquiatra e seu paciente é que o psiquiatra atua de acordo com o livro, ainda que o paciente chegue pelo que a vida lhe fez. E mesmo que o livro possa ter certa astúcia, as páginas sempre são as mesmas e cada paciente é diferente. Existem muito mais problemas individuais que páginas. Tem muita gente louca para resolvê-los, dizendo: ‘São tantos dólares por hora e quando a campainha tocar a sessão estará terminada’. Isso só pode levar um cara um pouco louco à loucura total. Quando as pessoas começam a se abrir e sentir bem, o psiquiatra diz: ‘Enfermeira, marque a próxima consulta’. O cara tá aí para sugar, não para curar. Quer o teu dinheiro. Quando toca a campainha, que entre o louco seguinte. Aí o louco sensível vai perceber que quando toca a campainha, é sinal que o f… Não existem limites de tempo para curar a loucura. Muitos psiquiatras que vi parecem estar no limite deles mesmos, mas estão bem acomodados. Ah, os psiquiatras são totalmente inúteis. Próxima pergunta…”
FÉ:
“Tudo bem que as pessoas a tenham, mas não me venham enfiar isso na cabeça. Tenho mais fé no encanador que no Ser Eterno.”
CINISMO:
“Me chamaram sempre de cínico. Creio que o cinismo é uma uva amarga, uma debilidade. É dizer: ‘Tudo está uma m… Isso não tá bom, aquilo tá ruim’. O cinismo é a debilidade que evita que nos ajustemos ao que acontece no momento. O otimismo também é uma debilidade: ‘O sol brilha, os pássaros cantam, sorria.’ Isso é uma m… igual. A verdade está em algum ponto entre os dois. O que é, é. Se você não está disposto a suportar a verdade, dane-se!”
MORALIDADE CONVENCIONAL:
“Pode ser que não exista o inferno, mas os que julgam podem perfeitamente criá-lo. As pessoas estão muito domesticadas. O cara tem que ver o que acontece e como vai reagir. Vou usar um termo estranho aqui: o bem. Não sei de onde vem, mas sinto que existe um componente de bondade em cada um de nós. Não acredito em Deus, mas creio nessa ‘bondade’ como um tubo que está dentro de nossos corpos e que pode ser alimentada. Ela é sempre mágica quando, por exemplo, numa estrada sobrecarregada de automóveis, um estranho te oferece lugar para mudar de mão.”
SOBRE SER ENTREVISTADO:
“É vergonhoso e, por isso, nem sempre digo toda a verdade. Gosto de brincar e mentir um pouco. Daí que dou informações falsas só pelo gosto de distrair. Se quiserem saber alguma coisa de mim, não leiam uma entrevista. Ignorem esta, também”.
Fonte: Palavras, todas palavras
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Confissões de um velho safado
Créditos da narração e do vídeo à Tâmara Alves. Fico muito agradecido :)
sábado, 21 de abril de 2012
Poema: 'Cantem comigo'
cantem comigo, todas as tristes coisas —
loucos em casas de pedra
sem portas e janelas
leprosos fumegando o amor e o cantar
um sapo a tentar
o céu alcançar;
cantem comigo, todas as tristes coisas —
dedos fendidos numa forja
a velha idade como uma almoço envolto
numa couraça
livros usados, pessoas usadas
flores usadas, amores usados
de ti preciso
de ti preciso
de ti preciso:
que fugiu
como um cavalo ou um cachorro
perdido ou morto
sentimento de fato
implacável
inexorável.
Tradução: Alice Dias
quarta-feira, 18 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012
Poema: 'Dinosauria, nós'
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Charles Bukowski Tapes - Número #23
quarta-feira, 28 de março de 2012
Poema: 'Orgulhosos, Magros, Morrendo'
sexta-feira, 23 de março de 2012
Charles Bukowski Tapes - Número #22
quinta-feira, 15 de março de 2012
Poema: Solucionando
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Charles Bukowski Tapes - Números #20 e #21
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Poema: meu pai
era de fato um homem fantástico
ele fingia ser
rico embora vivesse comendo mingau e feijão, éramos fodidos
quando sentávamos à mesa para comer, ele dizia:
“não é todo mundo que come uma comida dessas.”
e porque ele queria ser rico ou porque ele na verdade
pensava que era rico
sempre votou nos Republicanos
e votou em Hoover contra Roosevelt
e perdeu
então votou em Alf Landon contra Roosevelt
e perdeu de novo
dizendo, “não sei no que este mundo vai se transformar,
agora temos os malditos vermelhos lá de novo e os russos
estão daqui a pouco no quintal conosco!”
eu acho que foi meu pai que me fez tomar a decisão de ser
um vagabundo.
eu decidi que se um homem como ele queria ser rico
então eu iria querer ser pobre.
e me tornei um vagabundo
eu vivi contando os centavos
dormindo em quartos baratos
e em cima dos passeios
eu pensava que talvez os vagabundos
soubessem de algo.
mas vi que todos os vagabundos queriam
também ser ricos.
mas eles apenas falharam nisso.
então pego entre meu pai e os vagabundos
eu não tinha para onde ir
e fui para lá correndo e devagar.
nunca votei nos Republicanos.
nunca votei.
enterrei-o
como uma coisa estranha da terra
como centenas de coisas estranhas
como milhões de outras coisas estranhas
desperdiçadas.
Tradução: Alice Dias
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Charles Bukowski Tapes - Número 19
Para acompanhar o trabalho mais de perto, siga: @BlogBukowski
Qualquer dúvida, sugestão, e etc, mande um email para roanrafael@gmail.com ou mensagem no meu Facebook. Respondo no mesmo dia.
Abraços.
No dia do carteiro, Bukowski!
L&PM Web Tv - http://www.lpm-webtv.com.br
Até os Beatles prestaram atenção no velho Buk
Paul McCartney passara a interessar-se por novos escritores e pediu ao amigo Barry Miles para sugerir poetas que os Beatles pudesse gravar. Miles apareceu com uma lista que incluía Bukowski e, embora McCartney nunca tivesse lido sua obra, aprovou a sugestão.
"Ele estava muito interessado em vanguarda, tinha uma mente muito aberta para essas coisas, e estava pronto para aceitar minha palavra se eu dissesse que esse cara era bom", diz Miles, que foi nomeado gerente da Zapple, o departamento de música harmônica da Apple Corporation, e voou para Los angeles para realizar as gravações.
O acordo com a Zapple foi acertado através de John Martin, que estava assumindo as responsabilidades extras de ser agente de Bukowski, mas quando chegou a hora da gravação a timidez de Bukowski foi muito grande para entar no estúdio da Capitol Records, em Hollywood. "Ele não queria que ninguém o assistisse porque ainda não havia feito nenhuma leitura", diz Miles. Então ele levou um gravador à De Longspre, onde encontrou Bukowski com o que parecia uma velha prostituta calçando as meias lentamente.
*O Estado de S. Paulo. Domingo, 15 out. / 2000.
arquivos doprópriobol$o Introdução à uma curta filmografia de Bukowski ![]() "Bukowski: Born Into This" (John Dullaghan) Narra a vida do poeta e escritor Charles Bukowski, ícone da subcultura do final do século 20, tenta explicar o aumento do interesse do público pelos anos 60. "Há algo de romântico nessa era. As pessoas se arriscavam por seus ideais, chegavam a ir à cadeia por eles", disse Dullaghan, 40 anos. "Acho que há muita gente hoje que também quer expressar suas posições e mudar o mundo.". Festival de Cinema de Sundance, edição 2003.
bukowski.net Como preparativos para a filmagem de “Barfly” – feito a partir da obra, e com a benção direta de Charles Bukowski – o diretor Barbet Schroeder (francês, nascido em Teerã, em 1941) fez uma série de entrevistas com o escritor, sobre assuntos tão diversos como cidades, comida, política, sexo e, é claro, cinema, literatura e bebida. Fascinado com o resultado das conversas, que ele registrou em vídeo, num total de 15 horas de imagens, Schroeder editou esta longa fita, com quatro horas de entrevistas divididas em 11 capítulos (alguns títulos: “Estar só”, “Drogas versus álcool”, “Pernas”, “As massas estão sempre erradas”, “Minha ficha na polícia”). O momento culminante é uma discussão entre Bukowski e sua eterna musa, Linda, que termina com a namorada sendo expulsa a pontapés do sofá onde se desenrolam quase todas as conversas. Produzido e distribuído independentemente. Ana Maria Bahiana, Folha de S. Paulo, 18 ago./1988
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Fonte: Do próprio bolso